Tendências SXSW 2026

Um dos principais eventos para debater tendências e tecnologias, a 40ª edição do SXSW (South by Southwest) aconteceu em Austin, Texas, reunindo 850 sessões, 37 mil credenciados, ativações de 450 marcas e infinitas ideias.

O foco central deste ano foi o uso da IA em todos os ambientes e como ela passa a ser parte inquestionável da dinâmica social. O tema do evento, inclusive, foi “All Together Now” – isso quer dizer: nós, o planeta e a inteligência artificial.

Aqui, vamos trazer 5 tendências que se destacaram. Mas, talvez, a gente nem possa mais falar de tendências, como apontou a futurista Amy Webb. Durante a programação do SXSW, ela anunciou o encerramento do Emerging Tech Trend Report, um relatório de tendências que era apresentado há 19 anos.

Segundo a executiva, a velocidade das transformações tecnológicas e sociais tornou relatórios tradicionais de tendências rapidamente obsoletos. Agora, eles consideram uma abordagem baseada no conceito de “convergências”, que analisa a combinação de diferentes sinais tecnológicos, econômicos e culturais para identificar transformações estruturais.

Então, vamos às transformações identificadas!


1 – IA e humanos juntos

Especialistas defendem que, assim como outras tecnologias que surgiram, a IA irá reorganizar os processos e ampliar as capacidades humanas, mas não deve substituir tudo isso. A tecnologia deve atuar como uma facilitadora da criatividade, da produtividade e da conexão entre pessoas.

Reforçando o tema, devemos caminhar todos juntos e alinhados. Aza Raskin, do Center for Humane Technology, apontou: “com um agente inteligente, se ele tem objetivos diferentes dos seus, você está numa situação adversarial. E numa situação adversarial, o adversário mais capaz tende a vencer”.

Porém, por mais poderosa que a ferramenta seja, a criação de experiências e sensibilidade cultural continua sendo um processo essencialmente humano. Nesse cenário, o jogo muda um pouco: a vantagem competitiva não é mais apenas técnica, agora, está na capacidade de interpretação, construir narrativas e dar sentido a tudo que é criado pela IA.


2 – O futuro do trabalho ainda é humano!

As ferramentas de IA foram criadas, majoritariamente, para suprir limitações humanas, como atenção finita, memória limitada e expertise escassa. Ian Beacraft, CEO da Signal and Cipher, apontou que muitas empresas ainda utilizam IA para acelerar processos antigos, sem revisar seus modelos de trabalho.

“Ferramentas permitem novas formas de fazer uma tarefa. A IA reescreve as regras do sistema”.

As empresas podem adotar diversas tecnologias de IA em seus processos, mas de nada irá valer sem interpretação e tomada de decisão humana. Por isso, a relação humanos e máquinas é mais do que operacional, é estratégica. E não se engane: novas competências passam a ser exigidas dos profissionais para atenderem a essa dinâmica da forma mais eficiente para a companhia.


3 – A crise da GenZ

A geração Z é parte ativa da sociedade: 41% já estão inseridos no mercado de trabalho e 43% participando das decisões financeiras da família, nos Estados Unidos (Relatório US Monitor 2025 – Kantar). Mas eles enfrentam dificuldades com altos custos de vida, dificuldades de inserção profissional e elevação dos preços de moradia.

Segundo Andrew Yohanan, consultor da Kantar, esse contexto tem contribuído para mudanças de valores, com menos foco na auto-suficiência individual e maior valorização de redes de apoio, comunidade e iniciativas coletivas. Isso tem feito a Gen Z mudar a lógica do capitalismo individualista para o “capitalismo da comunidade”, ou seja, dividir contas, apartamentos e até a senha dos streamings.

A ostentação está por fora! Eles buscam creators e marcas que auxiliem com carreira, finanças e planejamento. O clássico call to action de “Compre agora!” não funciona mais para esse público. A atenção irá para marcas que os convidarem para obter custo-benefício, como “Saiba como nosso produto rende mais”.


4 – A creator economy é sobre autenticidade

A IA é vista como uma aliada na criação de conteúdo e não precisa ser temida. Inclusive, Jim Louderback, criador de conteúdo e ex-CEO da Vidcon, afirma que o processo de aprendizagem sobre IA é um caminho para se tornar um “criador soberano”.

Mas o que determinará o sucesso do creator nas relações com a audiência – principalmente com a Gen Alpha, que os têm como referência de vida -, é a autenticidade, aquilo que só um toque humano é capaz de dar! Especialistas até lançaram o termo “Medidor de autenticidade” para explicar a relação entre essa audiência jovem e os creators.

E o que isso impacta para as marcas? Ao contratar um creator, a marca não deve pensar em “dar um grito” para milhões de pessoas (como a publicidade comum) e, sim, pedindo permissão para ser ouvida pelas pessoas que confiam e acreditam na autenticidade daquele influenciador.


5 – Tecnologia e responsabilidade

É impossível não debater a responsabilidade das empresas de tecnologia. A expansão exponencial da IA demanda cooperação internacional para estabelecer diretrizes firmes de governança, ética, saúde mental, sustentabilidade e inclusão social.

Amy Webb destacou que a nova onda de inteligência artificial pode abrir oportunidades para países emergentes, incluindo o Brasil, especialmente em áreas como infraestrutura digital, agricultura e cadeias produtivas associadas a dados e tecnologia.

A tecnologia não seguirá sem a presença humana, portanto, o cuidado com as pessoas e o planeta é fundamental!

Entre tantos debates, uma coisa é certa: a sociedade não voltará atrás com o uso de IA. O que já vivemos e seguirá daqui em diante é o uso ético e responsável das ferramentas, e precisará sempre do “molho” humano para que suas criações façam sentido para a humanidade.

MELINA OLIVEIRA
Social Media AND, ALL – Reputação e Influência 


KETLEY PAIXÃO
Account Executive AND, ALL – Reputação e Influência 


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